Peugeot vira marca de nicho no Brasil e pode usar base chinesa junto com a Citroën

Peugeot vira marca de nicho no Brasil e pode usar base chinesa junto com a Citroën

Parcerias com a Dongfeng com foco em compactos, SUVs e picapes vão redefinir a atuação da Citroën e da Peugeot no Brasil

O futuro de Peugeot e Citroën no Brasil dependerá de tecnologias da chinesa Dongfeng. Peugeot será reposicionada como marca de nicho, acima da Fiat, focando em margem de lucro. Citroën concentrará operações em segmentos de entrada, com foco em custo e espaço. Stellantis adota a estratégia “fast lane” para autonomia regional nas parcerias. Engenharia brasileira já trabalha na adaptação de veículos chineses para o mercado sul-americano.

O futuro de Peugeot e Citroën no Brasil dependerá de tecnologias da chinesa Dongfeng.

Peugeot será reposicionada como marca de nicho, acima da Fiat, focando em margem de lucro.

Citroën concentrará operações em segmentos de entrada, com foco em custo e espaço.

Stellantis adota a estratégia “fast lane” para autonomia regional nas parcerias.

Engenharia brasileira já trabalha na adaptação de veículos chineses para o mercado sul-americano.

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O futuro da Peugeot e da Citroën no mercado brasileiro dependerá do uso de arquiteturas e tecnologias da fabricante chinesa Dongfeng. Após dar continuidade aos projetos que já estavam em andamento antes da criação da Stellantis em 2021, o grupo automotivo agora realinha a posição das suas marcas de origem francesa e plataformas chinesas poderão baratear custos e acelerar renovações.

A Stellantis comanda marcas como Fiat , Jeep , Ram, Peugeot, Citroën, Abarth e Leapmotor no Brasil, mas o sucesso de Fiat e Jeep é antagônico ao desempenho de Peugeot e Citroën nas vendas. Enquanto a Fiat somou 270.946 emplacamentos e a Jeep 56.426 emplacamentos no primeiro semestre, a Citroën acumulou 17.501 unidades (menos que Ford e Geely, que só vendem importados) e a Peugeot, apenas 8.754 unidades (menos que Omoda e Mitsubishi).

A função de cada uma das marcas tende a mudar. Embora tenha carros com preços acessíveis, como o 208 e o 2008, a Peugeot deixará de ser uma marca que busca volume de vendas. “A Peugeot será uma marca de nicho posicionada acima da Fiat”, afirmou o presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, em encontro com jornalistas.

O objetivo é comercializar veículos com maior margem de lucro, mirando consumidores que buscam design e acabamento superior, sem a pretensão de liderar os segmentos onde estiver atuando.

A Peugeot saiu debilitada do seu último plano de investimentos, que concentrou a produção dos seus carros na Argentina devido ao protecionismo no país vizinho. Em 2015, o mercado argentino consumia 60% de carros nacionais e 40% de modelos importados. Hoje, esse cenário se inverteu, com 70% dos emplacamentos dominados por veículos trazidos de fora e apenas 30% de fabricação local. A marca ainda é grande na Argentina e no Chile, mas encolheu no Brasil.

A situação econômica do país vizinho também dificulta as importações para o Brasil. Em 2026, o Peugeot 2008 acumula mais emplacamentos que o 208: 4.211 unidades contra 2.960 do hatch, um desempenho fraquíssimo. O Peugeot e-3008 , prometido para o Brasil há dois anos, seria capaz de reforçar a imagem de marca de nicho, mas ainda não foi lançado.

Por outro lado, a Citroën segue a diretriz adotada em outros mercados e concentra suas operações nos segmentos de entrada. A marca focará em entregar carros com apelo racional, espaço interno e baixo custo de manutenção, brigando pelo consumidor que precisa de mobilidade acessível em hatches e utilitários compactos.

Não é diferente da estratégia assumida ao concentrar sua operação nos Aircross, Basalt e C3, sendo que o Basalt é seu maior sucesso de vendas, com 7.621 emplacamentos de janeiro a junho. Os três modelos são fabricados no Brasil, na fábrica de Porto Real (RJ).

O peso da China na operação local

Quando a fusão que originou a Stellantis ocorreu, em 2021, diversos projetos da Peugeot e Citroën já estavam em andamento e seguiram o cronograma original. Contudo, muitos desses veículos revelaram não serem adequados às demandas específicas da América do Sul, sendo pequenos ou simples demais. A continuidade desses projetos evidenciou a necessidade de uma independência maior na engenharia e na escolha de portfólio.

Para resolver essas incoerências, a Stellantis vem adotando a filosofia interna batizada de “fast lane”, impulsionada por executivos como Antonio Filosa, CEO global da Stellantis. O conceito garante liberdade quase total para que cada operação regional busque as parcerias e os produtos que façam mais sentido para o seu público. Isso elimina a obrigação de adotar plataformas globais que não se sustentem financeiramente no mercado sul-americano.

É por isso que futuro de Peugeot e Citroën pode estar vinculado à parceria entre as empresas francesas e a Dongfeng, que antecede a própria Stellantis, acumulando quase três décadas de atuação conjunta na China por meio da joint-venture DPCA. As três empresas têm, inclusive, uma marca na China: a Hedmos, criada em 2025.

Ao contrário do acordo com a Leapmotor, da qual a Stellantis adquiriu 51% de participação, a relação com a Dongfeng ocorre mediante parcerias técnicas pontuais e independentes.

A engenharia brasileira já trabalha na adaptação de veículos oriundos desses projetos chineses para o mercado sul-americano. Esses desenvolvimentos contemplam carros compactos, picapes e SUVs, permitindo que a empresa atualize sua gama de produtos sem a necessidade de importar plataformas europeias, que costumam inviabilizar o preço final dos produtos no país.

A parceria com a Dongfeng pode ser estendida de outra forma, com a produção no Brasil de modelos dessa marca chinesa .

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